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23 de out. de 2013

Livro: Do Seu Lado

Chick Lit era meu gênero de literatura favorito, até eu descobrir o YA. Mas ainda tenho uma paixão escondida, que com livros gostosos como Do Seu Lado, renascem e me lembram porque eu sempre gostei de lê-los.
Do Seu Lado é leve, rápido, fofo... é aquele alívio no meio do turbilhão de ideias e pensamentos. Não é um livro para mudar sua vida, mas para te fazer dar uma pausa e sonhar, talvez até quem saiba olhar pro seu melhor amigo e perceber que Friendzone não é legal... Afinal de contas, quem disse que ele não pode ser o amor da sua vida?
Fiquei sabendo desse livro em parte porque a autora é brasileira. E eu realmente quero dar uma chance para os autores contemporâneos brasileiros, contudo, até esse livro, nunca achei uma história boa o suficiente.
Tudo bem que Do Seu Lado falta conflito, não tem vilão, começa pelo final e termina como novela da globo. É extremamente previsível, mas qual Chick Lit não é?
Eu me relacionei bastante com a família da Sarah. A avó da personagem me lembrou muito a minha avó, que perdi no começo do ano. Por isso me emocionei nas cenas simples, como o jantar de família, e nas não tão simples quando a avó vai para o hospital. Sem dúvida foi minha personagem preferida.
É a dinâmica familiar brasileira, que é diferente do resto do mundo, porém nunca vemos retratada nos livros. É tão legal ler sobre uma música brasileira, ver como ela se relaciona com o livro de outra forma.
O que não ficou muito claro é os pais da Sarah são aposentados, mas de quê para viver confortável daquele jeito? Outra pergunta é como os protagonistas ganham dinheiro. Tudo bem que são arquitetos em uma firma grande, mas eles largam tudo para fazer a pós-graduação fora do Brasil. Vão passar 1 ano vivendo de que? Fiquei preocupada...
Queria saber em qual cidade se passa o livro. Ela deixou isso bem em aberto, podendo ser qualquer lugar do mundo. A festa da roça na casa dos pais de Igor foi divertida, apesar de meia irreal, bastante "chico bento".
Mas quem se importa com essas coisas?
É chick lit, é fofo, e a autora é brasileira. Vale muito a pena conferir!

Obs. Fernanda Saads vamos deixar de ser puritanas e escrever uma cenas de sexo? Não precisa ser nada demais, mas senti falta no livro. As indicações de "coisinhas" com o Bruno ficaram meia vagas...

Música que é citada no livro:

15 de set. de 2013

Livro: Bruxos e Bruxas

Esse é um livro para quem não gosta de ler. Foi escrito visando essa geração internet que passa o dia inteiro lendo no facebook/twitter e outras redes sociais, mas não conseguem se concentrar por tempo suficiente para entender um livro inteiro.
Contém capítulos muito curtos, de no máximo 3 páginas, nenhum pensamento é muito desenvolvido, é um mistura de referências absurdas, nada faz muito sentido e cabe ao leitor preencher as várias lacunas. Considerando tudo isso, a editora Novo Conceito está de parabéns com a campanha que realizou em cima desse livro, fazendo a caixa brinde, o hotsite, toda a campanha do facebook, de verdade, foi a maior campanha publicitária no meio digital para um livro que já vi. Teve direito até a enviar CD com vídeo para os blogueiros postarem/compartilharem nas redes sociais, passando por uma "invasão" do facebook da editora com um e-mail para os cadastrados avisando que a página tinha sido hackeada.
E agora que eu li o livro entendo porque essa campanha foi tão importante. É preciso comunicar para quem não curte ler que esse é um livro para ele.
Mas claro, eu que não sou o público alvo, também fui impactada pela campanha e, óbvio, achei o livro superficial, rápido mas não no bom sentido, nenhum mistério demora muito para ser resolvido... é quase um não livro. E outro detalhe, como eu leio muito, pude perceber a mistura de referências loucas que tem no livro. Desde o "E o vento levou" (NC, essa existia mesmo ou vocês que colocaram?), até "A garota em chamas". Harry Potter está em peso aqui, com os dementadores, chaves de portais e vários outros elementos.
Teve um errinho mais chato no livro que foi o "enforcamento até a morte". Sério, existe uma pena de enforcamento sem morte? "Seus crimes serão punidos com enforcamento, até seu pescoço ficar roxo, depois disso a gente te libera."
O legal desse livro é no final terem os livros, artistas, museus... que foram banidos pela Nova Ordem. Mas me senti lendo Turma da Mônica, porque nenhum nome é o mesmo, todos sofreram pequenas mudanças. Harry Potter virou "Harry Podre e a Ordem dos Idiotas", Eragon virou "Edragão", Crepúsculo virou "Saga Aurora" e por ai vai... De longe a parte mais divertida do livro.
Outra coisa boa do livro foi no último capítulo um recado para o leitor, diretamente. Incentivando os jovens a participarem da vida política, a viveram o momento, não fazer tudo o que os outros mandam sem questionar e etc. É um livro para mostrar como as crianças e adolescentes podem ter força se assim desejarem. Como os adultos tem "medo" deles e do que eles podem fazer, e por isso os "prendem" (nas escolas talvez, James Patterson? Ou no computador mesmo?). E sim, eles irão dominar o mundo. Assim que crescerem e forem adultos, a próxima geração sempre irá dominar eventualmente.
Quanto a edição, só tenho elogios a editora. Quando vi a imagem nas redes sociais, achei bem simples, nada demais. Mas quando peguei o livro, ele é todo especial, ou seja, apesar da arte não ser nada fora do normal, eles capricharam na impressão, usando efeitos bem legais. Da próxima vez que você for a uma livraria, pegue o livro. Este vale a pena ser visto com a mãos.







16 de jun. de 2013

Livro: Starters

Tive vontade de ler esse livro desde que li a sinopse por um fato muito simples. Ele me lembra uma série chamada Dollhouse que assisti há algum tempo, antes do Blog (logo, nunca fiz resenha), mas que curtia muito.
Li algumas resenhas reclamando que demoram para entender a ideia, de como uma identidade pode 'entrar' no corpo de outra pessoa, como alugar um corpo e etc. Enfim, eu não tive esse problema. Imaginei como na série. E talvez esse tenha sido um problema. Porque apesar do livro partir dessa mesma ideia, esse aluguel temporário de um novo corpo, a história é bastante diferente, com objetivos distintos.
Enquanto no livro os corpos são de adolescentes sem familiares para protegerem, na série eles eram adultos que sofreram um trauma e não queriam passar pelo processo de luto, então aceitavam dormir por 5 anos. No livro, a criança assina por 3 aluguéis, na série, como já disse, é por um tempo.
Até o mecanismo de transferência de consciência é bastante diferente. Enquanto na série essa consciência pode ser criado no computador, sendo possível criar uma especialista em assaltar um banco, ou mesmo colocar a memória de uma ex-namorada/esposa que já morreu para viver mais um dia de amor, de lembrança, no livro a pessoa que transfere a consciência fica com o corpo como que meditando em uma sala no laboratório, sendo frágil e suscetível a uma série de problemas - como acontecem no livro.

Mas agora falando apenas do livro e com alguns spoilers, o mesmo veio nessa onda de distopia que está acontecendo no mercado editorial, e como tal, é em um futuro distante, onde houve uma "guerra de esporos" que matou toda a geração do meio, ou seja, dizimou os adultos. Agora na sociedade só existem crianças ou idosos. É o extremo do que aconteceria se realmente apenas privilegiássemos os extremos da sociedade na hora de vacinar e/ou proteger contra qualquer ataque. E a população idosa chega a viver 200 anos, pois a medicina evoluiu ou sei lá. Faz parte da premissa do livro. E claro que se você viveu 150 anos, algum dinheiro você tem, ou você é muito burro. Então, as crianças que tinham avós vivem uma vida de ricos, e as crianças sem, ficaram órfãos e sofrem com o abandono, com o detalhe que não podem trabalhar legalmente, pois os idosos precisam trabalhar, logo é proibido trabalhar antes dos 19 anos. Isso gera uma sociedade bem complicada.... Ainda mais que não existe a classe média. Nem entre idosos e muito menos entre as crianças. É muito estranho, para não dizer impossível, pensar uma sociedade assim. Mas ei, é uma distopia e como tal, não perguntamos como chegamos ali, perguntamos o que fazer depois dali.

O livro levanta uma série de perguntas: Se você pudesse ocupar o corpo de alguém, de uma criança, viver como ela por um determinado tempo, você aceitaria? Pagaria para largar seu corpo em um canto e usar o de uma supermodelo? Mesmo sabendo que ela está ainda ali, em algum lugar no canto...
É uma situação complicada e não duvido que haja pesquisas desse gênero acontecendo. Até porque, no caso de Dollhouse, você pode usar a tecnologia para inserir um conhecimento da sua mente, sem precisar nunca estudar por isso. No caso de Starters, o corpo do adolescente que está alugando, mantém a memória das atividade físicas praticadas antes, permitindo que o inquilino utilize essa habilidade para o seu bel prazer.

A série e o livro são coisas bastante diferentes, e apesar de eu gostar mais da série, não achei o livro ruim. Ele é apenas mais um livro distópico, enquanto a série eu nunca vi nada igual. Quero a continuação do livro para saber se irá se desenvolver em algum debate mais interessante que esse primeiro, afinal, ele é apenas uma introdução, e a ideia de alugar seu corpo (não se prostituir) tem que ser explicada com calma para que o leitor possa pensar em todas as implicações éticas e morais que essa tecnologia geraria.

E sim, a Editora Novo Conceito acreditou muito nesse livro, pois ele tem desenho atrás da capa, na época do lançamento tinha um "joguinho" na página da editora e ainda foi dublado esse book trailer que me lembrou um pouco da série: