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5 de dez. de 2013

Livro: Na Ilha

Eu cismei que o nome desse livro é Na Praia, sei lá porque... Bom, talvez por causa da capa que não tem nada a ver com a nada e está completamente fora de lugar. Não entendi bem a razão da Intrínseca ter a mantido, porque além de não ter nada ver com a história, não é uma que nos faz parar na livraria para ver o livro.
Sim... eu não comprei o livro, eu ganhei. E na hora de enrolar e não fazer o que tenho que fazer, eu sou mestre, então acabei lendo esse livro em uma noite, quando deveria estar estudando...
É um daqueles livros tranquilos que você lê rapidinho, em menos de um dia. E apesar de, pela capa, você não poder falar nada da história, a sinopse está bem construída, relatando brevemente o que aconteceu ANTES do livro. Sim, tudo o que está na sinopse acontece nas primeiras 50 páginas. A história é a partir dali.
É bom, apesar de ter alguns problemas temporais bastante chatos. Ela mudava o ano em que se passava a história bem rápido, e misturou acontecimentos. Quis usar fatos para construir o romance e acabou se perdendo. Ela devia ter feito uma pesquisa melhor, usado uma linha do tempo em cima do seu lugar de estudo e feito as interseções entre realidade e ficção de forma mais correta. Acho legal autores que utilizam fatos para construir seus romances, mas o tempo deve ser respeitado.
Ainda teve o problema da calcinha dela, preta a principio, ter virado branca DO NADA. Os itens de limpeza e higiene duraram para caramba, o que foi levado para durar 1 mês, durou 3 anos.
Em alguns momentos tive a impressão de que a autora nunca nem acampou. A personagem tinha umas preocupações meio bobas considerando onde ela estava, perdida em uma ilha deserta com um adolescente quase homem. Preocupações como lavar a roupa com sabão, raspar a perna, ter óleo de bebê para se masturbar... coisas meio estranhas considerando tudo... Pode me chamar de porca, mas se eu tô perdida no meio do nada, com suprimento super delimitado, já praticamente sem esperança de ser resgatada... eu não vou me preocupar se tenho pêlos nas pernas ou não.
Além disso, se eu consegui matar um tubarão, ele será refeição por mais de um dia. Ainda mais considerando que tem uma fogueira para esquentar e cozinhar a carne.
A autora ainda ficou com medo de tocar em tabus e esperou o T.J. crescer para construir o relacionamento, estendendo muito o tempo presos na ilha, criando uma rotina meia bizarra e fazendo o tempo passar muito rápido. De repente já era aniversário dele, natal, ano novo, dia dos namorados, aniversário dela, "volta as aulas" e aniversário dele de novo. Ela esperou ele ter quase 19 anos, um corpo de homem formado, para finalmente acontecer um relacionamento físico.
Ele, T.J., é um personagem muito interessante, afinal teve que crescer quando teve câncer, o que tornou seu passado trágico necessário para justificar o relacionamento. Um menino que aos 15 anos descobre a doença, tem o relacionamento lindo com a outra menina também doente. Ela morre, ele sobrevive. Ele cresce emocionalmente, se recupera. Vai passar as férias com os pais, se perde na ilha. Com 15 anos ele teve que pensar se queria ter filhos no futuro, pois o tratamento o deixa estéril. Se ele não tivesse passado por tudo aquilo, dificilmente conseguiria manter o final feliz com uma mulher 14 anos mais velha que quer casar e ter filhos.
Ela, Anna,é uma professora de inglês presa em um relacionamento sem futuro. Aceita o trabalho do outro lado do mundo para pensar e se distanciar. Tudo acontece. Até pela idade, ela já passou da fase de dúvidas. Ela é uma mulher que sabe o que quer.
Para resumir, eu curti muito os protagonistas, e apesar dos problemas temporais, é uma história bem divertida, para passar o tempo.

12 de nov. de 2013

Livro: Laços de Sangue


Eu não queria ler esse livro agora porque sei o efeito que a Richelle Mead tem em mim. Apesar de eu ter mais de 40 livros para ler me aguardando, estou desesperada pela continuação e me controlando ao máximo para esperar a editora Seguinte lançar em vez de comprar o inglês. (Que foi o que aconteceu com a série Academia de Vampiros, da mesma autora e praticamente o começo dessa série).
A mitologia criada em Academia de Vampiros deu tão certo que a autora resolver escrever um spin off, ou seja, pegou uma personagem relativamente carismática da primeira série, mas que não teve grande importância, e esta virou protagonista da série Bloodlines. O gatinho nº 2, que só se ferrou na primeira série, ganhou um espaço maior e virou o gatinho nº 1 nessa série.
Ficou confuso? Talvez um pouco, mas Richelle é assim. Confunde, mistura, muita coisa acontece em pouco tempo, várias não fazem sentido... Mas por algum motivo, a história é viciante.
E honestamente não sei explicar porquê.
Se eu der um passo para trás e parar para analisar o livro, vou perceber os vários erros de histórias, as situações além do impossível, a quebra na própria mitologia. Contudo, quando eu estou lendo, nada disso importa. Tudo faz sentido e se encaixa. Cada página puxa a outra, cada aventura me surpreende.
Sinceramente, não acho legal ler esse livro sem antes conhecer Academia de Vampiros. Você vai ficar perdido. Ela explica parte da mitologia, de novo, o que deixa quem já conhece um pouco cansado. E alguns mistérios perdem esse status uma vez que você entende o mundo em que se passa a história. Confesso que não lembrava muita coisa da primeira série, mas aos poucos tudo foi voltando. É... pensando melhor, talvez seja melhor começar por essa série... um pouco de mistério nunca vez mal a ninguém... porém não sei se sem conhecer a primeira série, essa te explicará tudo. Acho que sim, mas bem aos poucos, a medida que for sendo necessário para explicar a nova história. Como já disse, não lembrava de muita coisa, e não me fez falta esse conhecimento prévio.
As poucas cenas que a Rose aparece, ela rouba o livro. E pensando um pouco agora, a personalidade da Sydney sofreu grandes alterações para ficar mais parecida com a de Rose. E a Jill, que era fofa e simpática, virou a Lissa (chata, sem graça, e incapaz de ter outros amigos). Mentira, nenhum personagem jamais será tão chato quanto a Lissa.
A relação com os strigoi nesse livro muda um pouco, o que me dá uma pequena esperança que ela irá abalar a sociedade e mostrar que strigoi nem sempre é do mal. Ao mesmo tempo, sei que isso é impossível. Ela criou o bem e o mal e vai manter o mundo nisso. Talvez a grande capacidade da autora é me surpreender por não me surpreender. A gente pensa "não... não pode ser tão óbvio", mas é. Tá bom, algumas vezes não é tão óbvio assim...
Uma coisa que não entendi foi o porque da rosa na capa. Não faria muito mais sentido se fosse um lírio? Mesmo que no vermelho e talz... Tudo bem que o nome do 2º livro é "O Lírio Dourado", e tem essa flor na capa, mas ainda assim, a rosa não tem sentido. Ela ficou na academia de vampiros!! Virou guarda costas da Lissa chata. Enfim, vai entender o que se passa na cabeça dos designers que criaram a capa.
Ah, e se você está feliz, como eu tava, achando que é uma trilogia, com as 3 capas bonitinhas que a Ed. Seguinte já divulgou, fico contente em anunciar que você está enganado. Vai até o 6, de acordo com o Goodreads, sendo que o último ainda não foi lançado. E imagino que toda essa história se passará em apenas 1 ano, como aconteceu com a primeira série. Jura Richelle? Precisava mesmo disso tudo?

Obs. Editora Seguinte, alguma chance de vocês publicarem o capítulo perdido do Adrian? Mesmo que só e-book. Fiquei curiosa agora.

Droga. Vou ler qualquer outra coisa para tentar esquecer essa série e esperar, esperar, esperar...

31 de out. de 2013

Filme: Adam

Descobri esse filme através de uma resenha do livro Passarinha lá da editora que trabalho. Como o livro tem uma protagonista autista, com síndrome de Asperger, a blogueira achou legal relacionar com esse filme, cujo protagonista também tem que conviver com a mesma condição.
Mas as semelhanças acabam ai. Em Passarinha, a protagonista tem 10 anos, enquanto em Adam, ele já é um homem, com diploma universitário e vida adulta.
Esse filme é uma comédia romântica, e trata do assunto de forma tão leve e gostosa que é tudo que eu gosto, apesar daquele final, digamos que, surpreendente considerando que é uma comédia romântica.

Adam já é um adulto, mas que conviveu com o pai a vida inteira, sendo protegido e evitando que o "mundo real cruel" o impeça. Acontece que ninguém é para sempre e o pai morre deixando Adam para viver sozinho e cuidar de si mesmo. Sim, ele ganha uma herança boa e tem um amigo da família que sempre o ajudou, mas acaba ai. O emprego que ele está no momento o demite, em parte por ele ser super qualificado para o mesmo e ganhar pouco, em parte por ele querer levar além da expectativa os brinquedos que produzem, criando custos impossíveis para o produto.
Só para deixar claro, ele tem um diploma de algo próximo a engenharia elétrica e é muito inteligente, só que, por causa da síndrome, tem dificuldade de se relacionar com as pessoas.
E é ai que aparece Beth, uma mulher que acabou de se mudar para o apartamento de cima dele. No começo ela não entende que ele é diferente. Enxerga apenas um menino doce e simpático e em alguns momentos bastante mal educado e sem timing de conversa.
Mas ele gosta dela, e ela dele. E aos poucos eles fazem dar certo uma relação. Não muito tradicional... porém quem se importa?
Ela o ajuda com as entrevistas para outros empregos, ele a ajuda a ter inspiração para escrever seu livro infantil.
Entre dramas e crises, a vida e o relacionamento deles acontece como qualquer outro. E é fofo, simpático, dramático, engraçado...
Os dois crescem e aprendem até o desfecho do filme.
Adam prova que uma pessoa com a síndrome pode sim viver uma "vida normal".


28 de out. de 2013

Livro: Morte Súbida

Como escrever sobre um livro que não sei o que pensar? Um livro que foi um massacre lê-lo por completo, mas entendi a proposta e vi muito da Rowling em suas páginas.


Morte Súbita mostra, dentro de uma sociedade do interior, intrigas existentes nas grandes cidades, nas grandes famílias, dentro dos bairros, nas cidades do interior.
As fofocas, a superioridade natural que algumas pessoas pensam que possuem, a novidade, a sede de poder, os segredos que escondemos de nós mesmos.
Reclamei com amigos que não gosto de livro sem protagonista. No caso desse livro, a protagonista é a cidade, o que torna tudo muito confuso. Personagens possuem mais de um nome (o nome real, o apelido dado pela família e o apelido pejorativo). Até você entender tudo isso, a cabeça vai dando um nó.
Como sempre acontece quando há vários personagens na história, sempre existe aquele que você se identifica, se relaciona de alguma forma. Barry, o morto, virou um anjo por estar morto. E para nos mostrar isso, a autora mata outros personagens no final, em um trágico evento, uma situação de causa e consequência.
J.K. tem uma visão quase sociopata de Pagford, sem emoções. Descreve fatos, mesmo quando se refere ao amor, ciúme, ódio, inveja... 
Os personagens trepam, chupam, fumam... Palavras e expressões que usei muito na minha adolescência como forma de revolta e agora mostradas cruas e diretas no texto. Me espantei com cada uma delas, como se fosse errado lê-las em um texto da Rowling. Me espantei, mas entendi. Ela queria quebrar com o mundo mágico, e assim o fez.
Desenvolveu uma visão crua, em alguns pontos até cruel do mundo, mas nem por isso menos verdadeira. A morte nos torna anjos. E qual a consequência de uma morte? Como cada um reage a mesma? Alguns choram, sofrem, outros fogem das maneiras mais diferentes e ainda há aqueles que não se abalam, que se aproveitam... Mas eventualmente todos seguem em frente. Porque afinal, a outra opção é ir junto, é morrer também. E para quem fica, as consequências.
É... o mundo é assim. Não é porque deu certo para uma pessoa que dará para outra.
A busca por autenticidade de Bola criou o personagem mais falso, incapaz de sentir, de falar o que está vivendo.
Krystal é uma menina que sofre simplesmente por ter nascido. Um erro que nunca foi capaz de reparar. Sem culpa, sofria e ninguém entendia. Acabou virando a culpada.
Andrew, apesar de todos os pesares, é um fofo. A vida dele não é mais fácil que a de ninguém, mas mesmo com tudo o que passa continua sendo doce, se apaixonando e tentando passar pela adolescência sem grandes traumas.
Sukhvinder só queria que alguém a escutasse. E foi preciso que viesse uma menina de Londres para isso acontecesse. Na cidade, ninguém percebia.
Cada personagem com o seu segredo, com a sua história.
Cada ação, uma reação.
Sem começo nem final, Morte Súbita é um meio. É uma reação a uma morte. E acaba quando outra acontece.
É simplesmente a vida. Vista sem os óculos da magia.

Essa música que combina com esse livro, apesar de tudo.

23 de out. de 2013

Livro: Do Seu Lado

Chick Lit era meu gênero de literatura favorito, até eu descobrir o YA. Mas ainda tenho uma paixão escondida, que com livros gostosos como Do Seu Lado, renascem e me lembram porque eu sempre gostei de lê-los.
Do Seu Lado é leve, rápido, fofo... é aquele alívio no meio do turbilhão de ideias e pensamentos. Não é um livro para mudar sua vida, mas para te fazer dar uma pausa e sonhar, talvez até quem saiba olhar pro seu melhor amigo e perceber que Friendzone não é legal... Afinal de contas, quem disse que ele não pode ser o amor da sua vida?
Fiquei sabendo desse livro em parte porque a autora é brasileira. E eu realmente quero dar uma chance para os autores contemporâneos brasileiros, contudo, até esse livro, nunca achei uma história boa o suficiente.
Tudo bem que Do Seu Lado falta conflito, não tem vilão, começa pelo final e termina como novela da globo. É extremamente previsível, mas qual Chick Lit não é?
Eu me relacionei bastante com a família da Sarah. A avó da personagem me lembrou muito a minha avó, que perdi no começo do ano. Por isso me emocionei nas cenas simples, como o jantar de família, e nas não tão simples quando a avó vai para o hospital. Sem dúvida foi minha personagem preferida.
É a dinâmica familiar brasileira, que é diferente do resto do mundo, porém nunca vemos retratada nos livros. É tão legal ler sobre uma música brasileira, ver como ela se relaciona com o livro de outra forma.
O que não ficou muito claro é os pais da Sarah são aposentados, mas de quê para viver confortável daquele jeito? Outra pergunta é como os protagonistas ganham dinheiro. Tudo bem que são arquitetos em uma firma grande, mas eles largam tudo para fazer a pós-graduação fora do Brasil. Vão passar 1 ano vivendo de que? Fiquei preocupada...
Queria saber em qual cidade se passa o livro. Ela deixou isso bem em aberto, podendo ser qualquer lugar do mundo. A festa da roça na casa dos pais de Igor foi divertida, apesar de meia irreal, bastante "chico bento".
Mas quem se importa com essas coisas?
É chick lit, é fofo, e a autora é brasileira. Vale muito a pena conferir!

Obs. Fernanda Saads vamos deixar de ser puritanas e escrever uma cenas de sexo? Não precisa ser nada demais, mas senti falta no livro. As indicações de "coisinhas" com o Bruno ficaram meia vagas...

Música que é citada no livro:

14 de out. de 2013

Livro: Easy

Acho que serei massacrada de escrever isso, mas a verdade é que não curti Easy. Talvez por terem falado tão bem do livro que fui com as expectativa lá em cima e... não fui correspondida.
Na real, nem ia fazer resenha, mas pelo que percebi por ai, sou a diferente que não gostou então resolvi levantar a discussão.

Aviso que terá muitos spoilers a partir daqui, então se você ainda não leu, pretende algum dia e não gosta de spoiler, PARE de ler agora, e volte depois.

O livro é um "New Adult", ou seja, a protagonista está com 20 e poucos anos, no 2º ano de faculdade, já fez sexo... enfim, as discussões vão além do drama adolescente de ele não me ama, vou morrer se não ficar com ele... Mas será mesmo?
Jacqueline, a protagonista, é uma mulher muito burra que não sabe quem é se não tiver namorando alguém. É o tipo de pessoa que quando você pergunta: Quem você é?, a resposta será sempre: "Eu sou a namorada do Kenedy/Lucas/Landon." Ela é dessas que não sabe ser solteira, e por medo de ficar sozinha vai atrás do macho para onde ele for.
A primeira vez que ela faz isso, seguindo o namorado de Ensino Médio para faculdade, ainda é possível entender. Afinal, com 18 anos, hora de entrar no vestibular, ainda somos jovens, não temos certeza de nada, então porque não escolher ir com o namorado, para uma universidade perto de casa? Uma escolha que eu nunca faria, mas eu entendo quem faça. É muito mais fácil seguir os outros que pensar por si próprio.
Mas ai o namorado de ensino médio, também conhecido aqui como Kenedy, termina com ela. Ela fica arrasada, chora, perde aula, quase reprova... até ai tudo bem. O que eu não me conformei com a burrice dela é no final ela ter sugerido abrir mão do sonho dela de ser música para continuar seguindo o Lucas. Não bastasse ter feito a m* da primeira vez, faria de novo se o novo namorado não fosse sensível o suficiente para não deixar e "obrigá-la" a seguir os sonhos dela.
Além disso, ao longo da história, ela é quase estuprada 2 (sim DUAS) vezes pelo mesmo cara e em nenhum momento pensa em fazer aula de defesa pessoal. É necessário que a "melhor amiga dela" a carregue para as aulas que são dadas GRATUITAS no campus da universidade. Sério cara? Você é quase estuprada e não faz nada? Eu juro que entendo não contar, não denunciar, mas esse fato não mudar NADA na sua vida é complicado. Pelo menos deprimida e amedrontada ela tinha que ter ficado.
A melhor amiga dela é a famosa "Queen B", está acostumada a mandar e todo mundo obedecer. E claro que Jacqueline faz exatamente tudo o que ela manda. "Agora você vai conversar com ele só para dar seu nome, depois nem olha na cara dele. É a operação Bad Boy". E a Jacquie faz. Porque afinal, me repito aqui, quando os outros pensam por você é bem mais fácil.
Agora vamos falar do Lucas. Para começar ele é um Stalker, cujo objeto de ficção é ela. Mas ninguém se importa porque ele é gato. Mas sério, eu já tava ficando assustada. A mulher tropeçava ele tava lá. Na aula de economia, trabalhando no Starbucks que ela ia tomar café, é ajudante do instrutor da aula de defesa pessoal, até faz tudo em república das fraternidades o cara faz. Porque ele coincidentemente vai consertar o ar condicionado da casa que terá a festa que ela vai estar presente, recusa a gorjeta e ganha um ingresso. PURA COINCIDÊNCIA. Aham, claro. Se ele realmente fazia tudo o que se propõe a fazer nesse livro ele não iria se formar nunca. Ainda mais em engenharia. Mas tudo bem. Até os desenhos que ele fazia dela enquanto ela ainda namorava OUTRO, (provando minha teoria de Stalker, e ela sendo o objeto de obsessão dele) eu sou capaz de relevar. O que não me conformou foi o trauma de infância dele. Sério, se ele fosse esquisito, feio, tivesse olho torto, ele seria um psicopata e seria jogado na cadeia. Ninguém passa pelo que ele passou aos 8 anos e SEM TERAPIA NEM NENHUM TIPO DE TRATAMENTO, COM O PAI DOIDO FICANDO MAIS TEMPO PESCANDO QUE COM ELE, se recupera numa boa. E ainda trata sexo como "Só faço sexo casual, nunca amei ninguém". Ele ainda não descobriu o "prazer" de matar, mas é só uma questão de tempo. Ele já quase matou um no livro.
Outra coisa que gostaria de reclamar desse livro: Todas as mulheres sofreram abuso sexual? Sério? E só mulher sofre abuso, claro. Tudo bem que as estatísticas são altas, coisa de 1 em cada 8 mulheres sofrem com isso (dado real). Mas em Easy, é 1 em cada 2. É a protagonista, a mãe, a amiga, a garota da fraternidade... Se o mundo for assim mesmo, F.U.D.E.U.
Outra coisa que não entendi desse livro é: Porque eles são um casal?
Entendo a parte da Jacqueline, tava deprê, não sabe ficar sozinha, apareceu o gatinho... Ela ia começar a namorar e se apaixonar por praticamente qualquer pessoa que chegasse perto o bastante e fosse capaz de sustentá-la (percebam que ela só "se apaixona" por ele depois que sabe que ele faz engenharia e tem um futuro brilhante pela frente). Mas porque ela é objeto de obsessão dele eu não entendi. Me pareceu uma pessoa bastante sem graça, além de burra e dependente.

Bom, como eu falei, acho que sou a única pessoa do mundo que não gostou desse livro. Ele tem muitos furos.
Mas mesmo com todos os meus problemas com o livro, li em menos de um dia. Tudo bem que eu parava no meio para xingar ela ou para ficar espantada me perguntando "como o Lucas surgiu ai?"

Obs. Para quem tiver curiosidade sobre o modelo da capa, clique aqui.

23 de set. de 2013

Livro: Espinho de Ferro

No último clube do livro da Saraiva, cujo tema foi Steampunk, acabei ganhado esse livro. Ele chegou meio no final, ninguém sabia muito bem sobre o que se tratava. A Frini, mediadora do clube, leu a orelha só para gente ter ideia do assunto. (O que está escrito na orelha não tem nada a ver com o livro, mas enfim...) Ninguém nem sabia que esse livro é um Steampunk e como tal fazia todo o sentido estar naquela edição de clube.
E tenho que começar falando que fiquei muito feliz de ter ganhado. Em suas 500 páginas (sim, esse livro é grande) não há um momento para pausa. É ação, ação e ação. Não é o melhor livro que já li, e tive sim alguns problemas, mas essa história me fez viajar por 1 semana, e me deu uma desculpa para não entrar no computador todo o dia quando voltava do trabalho. E agora que eu acabei estou me sentindo assim... vazia, desocupada, com um buraco na minha imaginação.
Esse livro tem uma capa feia. E nada por fora indica o que iremos encontrar na história. Até o nome traduzido não tem muito a ver e por isso eu entrei completamente despreparada para a aventura que me aguardava junto da doce e inteligente Aoife. (por que esse nome? por que? - e o pior é que é o único nome do livro que é assim ruim. Todos os outros são "normais")
Como eu já disse, não sabia que era um Steampunk e por isso demorei muito para me situar. Eu sabia que se passava depois de uma grande guerra, mas não sabia bem qual. Imaginei que fosse a primeira, mas lá para frente do livro percebi que era a segunda. O livro se passa no ano de 1955, como descobri da metade para o final, com o diário que tem uma data. E até eu chegar nessa parte não tinha certeza de nada. E isso foi uma coisa que senti falta da autora, ela deveria ter pesquisado melhor essa década de 50 para fazer os costumes de acordo. Em alguns momento eu sentia que a Aoife queria ser a Srta Alexia Tarabotti, de Alma?, com as regras de etiqueta de outro século.
Mas quando a personagem assume a sua personalidade, ela é ótima. Ela é uma mecânica, uma engenheira, ela pensa em números. Ela trabalha e estuda cercada de meninos, ela está entrando em uma área que até hoje é dominada pelo sexo masculino. Ela gosta de se sujar, de graxa, de coloca a mão na massa e ver/fazer a máquina funcionar. E é essa a personagem que me conquistou. Forte, desbravadora, que ignora os próprios medos e acredita no que pode fazer.
E com tudo isso ela vai quebrar maldições, andar por terras desconhecidas, descobrir a magia dentro de si, perceber que está condenada e nem por isso parar/deixar de lutar e amar. Perceber que o melhor amigo é um mostro, um lobo mau, e mesmo assim não desistir dele, salvá-lo em nome da amizade e fazer ele acordar. Apesar de tudo que a vida jogou nela, ela olha para frente e segue, sem preconceitos, quebrando paradigmas e fazendo guerras, né? Afinal, nem tudo pode ser perfeito e ações tem consequências.
As tecnologias Steampunk que a autora descreveu é uma das mais completas e complexas que já li, com direito a autômatos, corvos mecânicos e canhões de éter (também conhecidos como televisão). Mas de novo, achei estranho a data que ela resolveu colocar a história. Nessa data já havia energia nuclear. A elétrica já estava com força total na sociedade ocidental. E ela voltou a tecnologia do vapor e éter característicos desse gênero.
Ela colocou ainda um pouco de distopia na história (só para misturar um pouco e criar mais um desafio para protagonista) e temos a presença de um governo totalitário, repressor, que não acredita e abomina a magia, (qualquer tipo de magia) e ainda queima os condenados. Dependendo do crime, só as mãos, se a pessoa for uma bruxa completa, é pra fogueira mesmo.
E por causa de livros como esse que às vezes não é muito legal conhecer as referencias. Algumas horas me senti em Narnia, outras em Avalon (passando pelas brumas/névoa), com o diário de Tom Riddle... Mas é um mal de todo o leitor. Quanto mais você conhece, menos original se torna cada narrativa. Apesar disso essa história é fantástica e merece ser lida.
Teve o pequeno problema de citarem o filme Múmia no meio do livro. Ainda dizendo que era um "filme", palavra que até então não existia. Foi o erro mais grotesco, que não sei se foi de tradução ou se tem no original mesmo. Mas mesmo que tenha no original, deveriam ter contato para a autora...
No final que fui descobri que esse livro é o primeiro de uma série. Já tem 3 livros lançados nos EUA e não sei se fica nisso ou tem mais.