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13 de ago de 2012

Livro: A Batalha do Apocalipse

Antes mesmo de ler esse livro já tinha uma ideia de como começaria a resenha sobre ele no blog. Mas a cada capítulo eu pensava em outra coisa que deveria dá destaque e mudava a resenha completamente. Até que agora, que finalmente acabei de ler e posso escrever a resenha, não faço ideia de como começar. É bem provável que não faça nenhum sentido, e que eu fale coisas contraditórias ao longo do texto - porém foi assim mesmo que me senti lendo a Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr.

Normalmente eu não falo quem é o autor do livro, mas nesse caso acho importante ressaltar, pois é um escritor da nova geração brasileira. Parte da história, das batalhas, acontecem aqui no Rio - o que é meio estranho, e um dos motivos de eu ter pego para ler. Quando me contaram sobre o ambiente peculiar, achei super interessante, mas quando li de fato, achei um pouco forçado. As principais histórias acontecem de fato no Oriente Médio. E como é sobre o Apocalipse, não tem como fugir da Bíblia. E adivinha? O Rio não tem nada Bíblico! Apesar das descrições da cidade, a história e tudo ser bastante interessante, não achei muito condizente com a história geral, que diga-se de passagem é muito boa. O RJ acabou virando um detalhe, um atraso na vida dos protagonistas, que estavam longe de onde deveriam ir para lutar a batalha final.
Minhas partes favoritas do livro foram as novas visões dos textos bíblicos, como a queda da torre de Babel. Mas confesso que fiquei um pouco frustada na parte sobre o nascimento de Jesus. Estava esperando para saber quem Ablon - o protagonista da história - seria dentro da narrativa, e nada aconteceu, ele não foi ninguém. Mas quando é explicado porque Jesus seria um menino santo, fiquei mais satisfeita com a interpretação.
Shamira é a feiticeira mais legal do mundo, mas não curti essa coisa de se alimentar dos espíritos para se tornar imortal. Seria bem mais interessante se o Ablon tivesse dado seu sangue a ela, de maneira meio egoísta, para ela ser imortal. Teria muito mais conflito. (parte da mitologia criada diz que o humano que conseguir beber o sangue de um anjo através de um determinado ritual consegue a vida eterna, porém essa é meia amaldiçoada).
O livro é longo, e em alguns momentos pensei que era infinito. Levei bastante tempo lendo e foi impossível ler direto. Talvez pelo simples fato desse não ser meu tipo de leitura favorita, ou pelo livro ser cansativo mesmo, afinal toda a história do mundo - desde a criação dos cosmos, até a batalha do apocalipse - está reinterpretada nas quase 600 páginas do livro. Além disso, Eduardo inventou outros mundos dentro do nosso. Separou com o tecido da realidade o plano etéreo e astral. Com os barqueiros de Styx inventou muitas outras realidades. Mesmo com os personagens principais sendo anjos - o que indicaria um Deus monoteísta, onipresente e todas as coisas bíblicas - as outras religiões e seres 'mágicos' não foram desprezados, e existem nas muitas realidades e planos. As interseções dos mundos são muito interessantes e dentro do universo do livro, explicam perfeitamente a história sem criar expectativas erradas.
Mas tenho que admitir, nunca li nada tão fantástico e diferente quanto essa obra. Talvez se fosse dividida, cada evento histórico um livro menor, ficasse menos cansativo.
Quando já estava chegando para o final tiveram capítulos que eu simplesmente parei o livro e fiquei pensando "Como? O Que? WTF??". Cheguei a achar que o autor tinha ficado meio louco e não conseguiria resolver o mistério. Como estava lendo bem devagar, já tinha esquecido de feitiços e detalhes do começo do livro, mas eles foram usados para explicar o final perfeitamente. Não vi grandes furos que impossibilitassem a história. Talvez o maior fosse sobre a identidade do anjo negro, que já tinha previsto antes, mas lembrava de em alguma parte ele estar em 2 lugares ao mesmo tempo, mas não tenho certeza. Teria que ler o livro de novo com calma, já sabendo a identidade, para ver se realmente existe esse furo. Porém ainda estava esperando alguém mais poderoso.
Em muito dessa história eu vi "Supernatural". Os anjos são malvados. O arcanjo Miguel é um ditador sedento de sangue e por incrível que parece, Lúcifer não é tão mal assim. Existem demônios não tão ruins e com a consciência pesada. Existe salvação. É uma reinterpretação muito bem feita.
É um livro bem complicado de escrever sobre ele, ainda mais evitando contar spoilers. Tiveram algumas coisas no texto que me irritaram um pouco sendo a principal a mania de escrever perguntas "clichês" no meio dos capítulos - sabe aquelas 'e agora, o que irá acontecer? Ele vai para a direita ou para a esquerda? Será que vai dar certo? Ninguém tem como saber." - e tem várias dessas perguntas no meio do livro. Elas já estão no meu subconsciente, não era necessário estarem em palavras no final dos capítulos.
Falando um pouco sobre os personagens da trama - Cadê as cartas com os poderes e fraquezas de cada casta de anjo? Cadê o mapa de hierarquia angélica? Teria facilitado bem a minha vida durante o livro. Cada vez que nos era apresentado uma nova casta de anjos, a frase vinha imediatamente seguida de informações como força e fraqueza, principal poder. Sabe aquelas cartas que os meninos de Big Bang Theory jogam? Então, seria bem fácil criá-las com os personagens desse livro. As informações já estão ali, descritas direitinha. O que é uma coisa que me cansou um pouco, uma vez que nem sei jogar isso e nunca fui muito fã.
Os nomes escolhidos também foram bem interessantes, mas me confundiam um pouco. Apollyon e Ablon lutando... às vezes confundia os nomes. E porque Deus não poder ser Deus? Deus se chama Yahweh (não sei nem como pronunciar isso).
Sinceramente, achei que é um livro que vale a pena ler e conhecer. Mesmo não sendo seu tipo de leitura, a história é interessante e te faz no mínimo pensar. E os novos autores brasileiros merecem o destaque.
Parabéns Eduardo Spohr. Você criou mundos fantásticos.

Obs. Comecei a ligar a pessoa ao livro quando fui em uma palestra na Cátedra da Unesco na PUC, com ele. Conhecê-lo me fez ter mais vontade de parar para ler o livro. E se ele de fato for no clube do livro da Saraiva, poderei conversar com ele depois de lido a história. Tenho várias perguntas!!!

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