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9 de jan de 2013

Aleatório: Ilíada

Há algum tempo que estou arrumando meu quarto e minhas coisas e como sempre quando estamos fazendo esse tipo de limpeza achamos coisas antigas, algumas boas outras ruins.
Dessa vez, achei um texto para teatro de Ilíada eu tinha adaptado no Ensino Médio para um trabalho de português. Como tínhamos que apresentar a história para a turma de forma divertida, naquela época era sempre um teatrinho. No caso, como Ilíada é bem complexa, cheia de personagens e talz e nosso grupo era pequeno, minha ideia genial foi escrever a história sendo contada pelos Deuses. Lembro inclusive de usar as minhas fofoletes (uma bonequinha pequena que foi moda quando eu era pequena) para serem os gregos e troianos sendo mortos. Sinceramente, achei o trabalho bem legal e por isso colocarei aqui no blog o texto.
Se alguém quiser usar, re-adaptar, filmar ou qualquer coisa, sinta-se a vontade. Só me avisa! =)

Ilíada de Homero

Entra o Narrador:

NARRADOR - Helena é a mais bela mulher que já vi. Comentam por ai que ela é filha de Zeus. Todos os príncipes desejam casar-se com ela. Por isso o rei Tíndaro, rei de Esparta e pai de Helena exigiu dos príncipes que estes sejam amigos dos príncipes que ela escolher e também que a protegesse se algum malvado a raptasse. Todos esperavam ser escolhidos, e Helena escolheu Menelau, irmão de Agamenon. Eles eram felizes até que apareceu o jovem Páris, um dos dezenove filhos de Príamo, rei de Tróia. Este raptou Helena e ainda levou muito ouro e pedras preciosas. Então Menelau e Agamenon convocaram os príncipes, e a guerra começou.

Sai o Narrador, Entra Apolo

APOLO - É um absurdo, quem esses gregos pensam que são? Assaltaram a cidade de Crises, e cada um se apoderou do bem que quis. Agamenon tomou para si Criseida, filha de um sacerdote meu...

(entra Narrador) - NARRADOR - Este é Apolo, deus do verso, das artes, da música, da eloquência e da medicina. Protetor da cidade de Tróia. Desculpe te interromper, Apolo. pode continuar... (sai de cena)

APOLO - Como eu ia dizendo, Agamenon pegou Criseida. Seu pai, apavorado, me pede que o ajude. Não posso negar esse pedido. Descerei agora mesmo do meu palácio. Irei à Terra e espalharei a morte entre os gregos. (sai de cena furioso, Atena entra)

ATENAS - Lá se foi Apolo ajudar seu sacerdote e para variar ajudar a cidade de Tróia. Eu já avisei desde o começo dessa guerra, os gregos tem razão.


(entra Narrador) - NARRADOR - Esta é Atenas, deusa da sabedoria, da inteligência e da engenhosidade... (sai de cena)

Atenas - (o tempo passa e Atenas parece perder a paciência) O que exatamente Apolo está fazendo? Já se passaram 9 dias, muitos já morreram. Estou vendo aqui de cima... Estão todos reunidos... Parece que Aquiles irá matar o rei Agamenon, não posso permitir, terei que interferir...
(sai de cena correndo - Apolo retorna)

APOLO - Parece que os gregos finalmente tiveram uma lição. O rei Agamenon devolveu Criseida e eu parei de matá-los. Mas parece que entre eles as coisas não estão muito boas... Esses gregos vivem brigando entre si.


Atenas volta a cena
ATENAS - Imagina que Agamenon quis roubar dos outros príncipes o que eles ganhariam na guerra, e falou que tomaria Criseida de volta, afinal esta tinha sido dada a Aquiles como recompensa de guerra. Tive que impedir Aquiles de matar Agamenon e dizer-lhe que este pagará pelo mal que fez.

APOLO - Os meus troianos não brigam assim...

(Tétis entra em cena) TÉTIS - Cadê Zeus? Preciso falar com ele..


(entra Narrador) - NARRADOR - Essa é Tétis, a deusa do mar, esposa dos Oceanos, o pai dos rios. (sai de cena)

(Zeus está sentado em uma cadeira lendo - Tétis ajoelha-se diante dele, põe a mão esquerda em seu joelho)

TÉTIS - Meu Pai, se alguma vez lhe fui útil, conceda-me agora a graça de meu filho Aquiles ter a graça que deseja. Agamenon o humilhou. Faz com que os troianos dominem a guerra por algum tempo, para que os gregos compreendam que não podem ganhar a guerra sem ele.

(Zeus pensa...)
ZEUS -  O que me pedes filha, irritará Hera, minha esposa. Ela me dirá palavras amargas. Já reclama a alegar que favoreço os troianos... (pensa mais um pouco) Parte o mais depressa que puderes, para que Hera não saiba que estivestes aqui. E vou garantir minha promessa. (inclina a cabeça)



(entra Narrador) - NARRADOR - Quando os deus assumem essa posição significa que não podem se arrepender depois da promessa que fizeram. (sai de cena)

Zeus ainda sentado em sua cadeira, entra Hera.

HERA - Quem esteve aqui contigo? Quando não estou perto de ti, procuras esconder tudo o que fazes.


(entra Narrador) - NARRADOR - Este é Hera, mulher de Zeus. (sai de cena)

ZEUS - Vives querendo conhecer meus pensamentos, porém isso é muito difícil. Deves saber que já assuntos que nem minha esposa tem o direito de conhecer.

(Hera começa a ficar irritada) HERA - Não me intrometo em seus negócios. Todavia sei que Tétis esteve contigo e creio que foi bem sucedida. A terra Tremeu; logo o senhor meu marido inclinou a cabeça. Tenho certeza que prometeste que Aquiles será exaltado.

(Zeus responde irritado) Nada há que não descubras. És uma feiticeira. Fica sabendo então que este é meu desejo. Teu deve é, portando, obedecer-me. E nem todos os deuses do Olimpo reunidos, conseguirão salvar-te se eu te levantar minha mão para condena-la.

(Hera fica apavorada e Apolo entra na briga)

APOLO - Seria lamentável que você e o pai dos deuses brigassem. Vamos fazer as pazes e beber um pouco de vinho.

ZEUS - Tenho muito a pensar e não quero beber vinho agora... Mas vocês podem ir. 
(Zeus fica andando e pensando até que tem uma ideia) Hermes, Hermes!!! (ele chama)

(Hermes entra correndo)

HERMES - O que há Zeus? Alguma mensagem?

ZEUS - Preciso que desça e converse com Agamenon. Diga-lhe que, se ele conduzir o próprio exército ao combate, vencerá a cidade de Tróia. Farei com que ele acredite nisso, assim poderei cumprir minha promessa a Tétis.

HERMES - Sim senhor... (e sai correndo)

No dia seguinte...

Apolo, Atenas e Hera discutindo

HERA -  A guerra irá começar... Qual surpresa Zeus, meu marido, nos preparou? Não gostei de saber que Tétis esteve aqui...

ATENAS - Pelo menos Aquiles é grego, assim ele deve ajudar os gregos...

HERA - Esqueceste que Aquiles está fora da guerra?

APOLO - Espero que Zeus ajude os troianos...

ATENAS - Observem, todo o exército de Agamenon se dirige para a guerra. 

APOLO - Enquanto isso os troianos preparam a defesa. Páris irá desafiar os gregos, para tentar manter a paz...

HERA - Seu querido troiano está fugindo do combate... parece que tem medo...

APOLO - Porém Heitor, o melhor e mais valente dos troianos, irmão de Páris, está se intrometendo. Te garanto que ele vence seus queridos gregos.

HERA - O que Heitor está fazendo?

APOLO - Está propondo um duelo entre Páris e Menelau. O vencedor leva Helena e as riquezas que lhe pertencem.

ATENAS - Pelo que parece, mandaram buscar Príamo e o carneiro de sacrifício a nós.

APOLO - Feita a cerimônia, a batalha está começando.

HERA - Menelau está arrastando Páris até o exército grego. A correia e o capacete estão sufocando o príncipe.

ATENAS - O que Afrodite está fazendo lá? Essa é uma batalha humana, não divina!

APOLO - Ela está salvando Páris, o cobrindo e levando de volta.

HERA - Esses troianos não honram seus compromissos! Agora tenho certeza que não devolveram Helena!

(Os deuses saem de cena, narrador entra)

NARRADOR - A verdadeira batalha irá começar agora! Só Zeus sabe o que poderá acontecer. Todas as divindades começam a guerrear junto com os humanos. Apolo ajuda Heitor a dizimar milhares de gregos com sua espada. Por outro lado, Hera e Atenas fortalecem os chefes gregos, principalmente Diomedes que se torna um verdadeiro herói. Mas ainda assim, os troianos continuam levando vantagem!

Zeus entra irritado - 
ZEUS - Todos os deuses aqui? Nenhum de vós ajudará os gregos ou os troianos!  Se alguém Deus ou Deusa me desobedecer eu o lançarei as trevas inferiores. Ali aprenderá que eu sou o senhor do céu. Porventura haverá alguém aqui que pense poder me desafiar?

(todos os deuses com medo e silenciosos)

ATENAS - Pai, todos nós sabemos que ninguém pode te enfrentar. Contudo, tememos a destruição dos gregos. Se não podemos ajuda-los, permite apenas que nós os aconselhamos.

(Zeus consente e dispensa todos, senta em sua cadeira e pega a balança da morte)

HERMES - Senhor, tem certeza do que estás fazendo?

ZEUS - Acalme-se meu amigo, estou apenas cumprindo minha promessa a Tétis.


HERMES - E tens conseguido, meu senhor. Agamenon já enviou uma embaixada a Aquiles implorando que volte a batalha.

ZEUS - Estou ciente do que está acontecendo, mas não será dessa vez que Aquiles voltará. Sua jactância consegue ser maior que a minha.

Narrador - Entra explicando e em seguida sai de cena

ZEUS - Agora que já me deu as notícias, que eu já sabia, vá dar uma volta que eu devo me concentrar na guerra... afinal essa guerra é como um jogo de xadrez, tenho que ter muito cuidado, pois um movimento errado e esses humanos fazem o que não deve, os deuses se intrometem...

HERMES - Ainda tenho alguns recados a dar... Continuarei o meu trabalho... com licença senhor...
(sai de cena)

Hera entra em cena

HERA - Será que poderia me explicar o que está acontecendo?

ZEUS - Nada de seu interesse... Apenas Heitor deu um passo errado.. Mandou um espião fraco e sem coragem...

HERA - Pelo que vejo, este acaba de ser morto (dá uma risada) e pelos espiões gregos... quando eu faço que a Grécia é a melhor...

Tétis entra...

TÉTIS - Pai, o que estás fazendo? Todos os gregos estão com medo do que está para acontecer... estão com medo que os troianos ponham fogo em seus navios...

ZEUS - Tu me pediste para fazer isso... e como eu já disse, sei o que estou fazendo.

HERA - Observem... os gregos estão levando vantagem na guerra..

ZEUS - Quem fez isto? Hera?

HERA - Não fui eu... não vês que isso é obra de Poseidon, pai dessa infeliz? (aponta para Tétis)

TÉTIS - Não fale assim de papai... 
(vão para um canto ainda discutindo em voz baixa)

ZEUS - Hermes!! (este entra) Vá até Poseidon e mande que ele fique longe dessa guerra! Ele é o senhor dos mares, e eu o senhor do céu e da terra. Tudo o que acontece com os humanos me pertence. E vocês duas, vão discutir em outro canto que tenho muito a pensar aqui.

(Hermes sai para levar o recado, as duas saem irritadas)
Atenas entra

ATENAS - Zeus, o que está acontecendo? O que Pátroclo está fazendo? Está colocando a armadura de Aquiles...

ZEUS - Ele irá comandar o exército de Aquiles. O destino dele já está traçado.


ATENAS - OH... Plutão, o deus dos mortos, o levará?

ZEUS - Sim... um pequeno preço a pagar...

(todos os deuses entram curiosos para saber o que está acontecendo)

APOLO - Alguém pode me informar o que está acontecendo? Aquiles voltou para a batalha?

TÉTIS - Sim... após a morte de Pátroclo, Aquiles, meu adorado filho, ficou triste e resolveu que quer vingança contra os troianos.

HERMES - Silêncio, a batalha entre Aquiles e Heitor vai começar..

ZEUS - Coitado do Heitor, sempre foi um bom fiel, fez sacrifícios a mim...

HERA - Nem pense em deixá-lo vivo. O destino dele já está definido.

ZEUS - Eu sei, eu sei... Nem eu posso mudar o destino...

APOLO  - Heito morreu! E Aquiles está levando seu corpo. Isso não é justo. Ele merece um funeral digno. Plutão o aguarda.

ZEUS - Concordo contigo Apolo. Tétis, vá até seu filho e ordene-o que devolva o corpo de Heitor a Príamo.

TÉTIS - Se essa é a sua vontade, Aquiles não se oporá. (sai de cena)

ZEUS - Agora que vocês já viram a grande batalha dessa guerra, saiam que preciso de pensar o que vou fazer, afinal essa guerra tem que acabar...

(todos saem e Zeus fica andando de um lado para o outro pensando)

NARRADOR - Desculpe te interromper senhor, rei dos Deuses, mas eu tenho que comentar... Nunca vi na Terra um cavalo tão bonito quanto o de Aquiles...

ZEUS - Cavalo... Isso! Grande ideia! Já sei como essa guerra vai acabar... Hermes!!! Convoque todos os Deuses... quero que todos vejam o grande final que pensei para  essa guerra.

Todos os deuses entram - Tétis chora.

APOLO  - Tétis, porque estas chorando?

TÉTIS - Meu Aquiles morreu. Também, foi se apaixonar por uma filha de Príamo, mudou de lado e o idiota do Páris resolveu se vingar de Aquiles no dia do casamento. Deu uma flechada em seu calcanhar e meu querido filho morreu..

(todo mundo congela - narrador entra)

NARRADOR - A origem da expressão calcanhar de Aquiles, muito usada até os dias de hoje para designar um ponto fraco de uma pessoa, surgiu dessa passagem da guerra.

(narrador sai e tudo volta ao normal)

HERA - Qual será o grande final para essa guerra que já dura mais de 10 anos? Espero que os gregos vençam!

ZEUS - De fato minha querida. Os gregos vencerão. Preste atenção que veras a ideia que tive...

ATENAS - Mas veja... os gregos estão construindo uma espécie de cavalo de madeira gigante... Para que isso? Ainda não entendi sua ideia...

APOLO - Acho que entendi...

ZEUS - Sim Apolo, os gregos entrarão nesse cavalo, invadirão a cidade de Tróia, pois os troianos receberão o cavalo como um presente, um pedido de paz.

HERMES - Que ideia fantástica!

Narrador entra -

NARRADOR - E assim acabou a guerra. Uma história contada há muito tempo, conhecida por todos e escrita por Homero. Um escritor que ninguém sabe se realmente existiu, muito menos a época em que viveu. Espero que tenham gostado.

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